Esqueleto raro da Batalha de Waterloo é descoberto na Bélgica | Mundo


Arqueólogos e voluntários do projeto Waterloo Uncovered encontraram o esqueleto completo de um soldado que lutou na Batalha de Waterloo, em 1815, na Bélgica. A descoberta, anunciada na quarta-feira (13), é um tanto rara e foi feita durante escavações em um hospital de campanha da época, situado no vilarejo de Mont-Saint-Jean, a cerca de 20 quilômetros de Bruxelas.

De acordo com os pesquisadores, o achado jazia entre caixas de munição, lixo hospitalar e ossos de pernas e braços de combatentes que tiveram os membros amputados na ocasião. Para Véronique Moulaert, funcionária da Agência de Patrimônio da região, encontrar todos estes artefatos em um mesmo lugar evidencia o estado de emergência em que o hospital estava.

Crânio do esqueleto descoberto em sítio arqueológico da Batalha de Waterloo — Foto: Chris van Houts

“Soldados mortos, membros amputados e mais tinham que ser varridos para valas próximas e rapidamente enterrados em uma tentativa desesperada de conter a propagação de doenças ao redor do hospital”, afirmou Moulaert, em declaração à imprensa.

Restos destroçados do osso da perna de um soldado que lutou no conflito — Foto: Chris van Houts

Os restos mortais de vários cavalos também foram encontrados no sítio arqueológico e isso, para os estudiosos, ressalta a brutalidade do conflito. “Sou arqueólogo de campos de batalha há 20 anos e nunca vi nada parecido”, afirmou Tony Pollard, um dos diretores arqueológicos do projeto e diretor do Centro de Arqueologia de Campos de Batalha da Universidade de Glasgow, Escócia.

Esqueleto de cavalo encontrado no sítio arqueológico da Batalha de Waterloo — Foto: Chris van Houts

A Batalha de Waterloo marcou o fim do governo de Cem Dias de Napoleão Bonaparte, que abdicou do trono da França após a derrota para os britânicos e prussianos. Estima-se que mais de 20 mil combatentes tenham morrido em apenas um dia de conflito, mas o paradeiro de grande parte desses corpos permanece desconhecido.

Os cientistas do Waterloo Uncovered, que trabalham na região desde 2015, acreditam que muitos cadáveres foram queimados em piras ou empilhados em valas comuns. Outra hipótese da equipe é que boa parte dos corpos foram removidos das sepulturas e enviados para o Reino Unido para terem seus ossos transformados em fertilizantes e comercializados.

Dentes humanos encontrados durante as escavações em Mont-Saint-Jean — Foto: Chris van Houts

A equipe espera realizar um levantamento geofísico em larga escala da região ainda este ano. O objetivo da análise é identificar anomalias na paisagem que potencialmente indiquem a existência de valas comuns, objetos metálicos ou estruturas perdidas.



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