Moody’s avisa Itália de que pode ir de novo para lixo – Obrigações

A Moody’s reiterou esta sexta-feira à noite o rating da dívida soberana de Itália em Baa3, que corresponde ao último nível da categoria de investimento de qualidade. No entanto, cortou a perspetiva (“outlook”) para a evolução da qualidade da dívida, de ‘estável’ para ‘positiva’.

 

Um “outlook” negativo significa que a agência de rating poderá baixar a classificação de Itália na próxima avaliação – o que a acontecer, a colocará na categoria de investimento especulativo, o chamado “lixo”.

 

“Embora os desenvolvimentos em matéria orçamental e de crescimento tenham trazido surpresas positivas em 2021 e em inícios de 2022, mais recentemente têm vindo a acumular-se riscos ao perfil de crédito de Itália devido ao impacto económico da invasão da Ucrânia pela Rússia e devido aos desenvolvimentos políticos em Itália, podendo ambos os fatores ter implicações sobre a qualidade da dívida”, justifica a agência no relatório divulgado esta noite.

 

Entre essas implicações estão os maiores riscos de que o contexto político impeça a implementação de reformas estruturais, nomeadamente as incluídas no Plano de Recuperação e Resiliência italiano, aponta a Moody’s.

 

A agência refere também o risco de que a robustez orçamental de Itália se debilite mais, à conta de um crescimento fraco, de custos de financiamento mais elevados e de uma disciplina orçamental potencialmente mais débil.

 

Refere ainda o risco acrescido de que os desafios que se colocam ao fornecimento de energia enfraqueçam as perspetivas económicas para o país.

 

Já quanto ao atual rating, a agência diz que reflete os significativos pontos forte da economia italiana, incluindo o seu robusto setor industrial, a elevada riqueza das famílias e o baixo nível de endividamento do setor privado.

 

Além disso, o atual rating “reflete o pressuposto da Moody’s de que os países ‘core’ da Zona Euro apoiarão Itália em caso de necessidade, uma posição confirmada pelo recente anúncio do Banco Central Europeu do Instrumento de Proteção à Transmissão (TPI)”, refere a agência.

Recorde-se que, no passado dia 21 de julho, o presidente italiano, Sergio Mattarella, decretou o fim da legislatura – que deveria terminar em março de 2023 – na sequência da demissão do primeiro-ministro. Mario Draghi apresentou a sua demissão (duas vezes em apenas uma semana, tendo à segunda sido aceite por Mattarella) após ter perdido o apoio de alguns partidos que integravam a coligação governamental.





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