Na Argentina, ruralistas protestam contra governo e interrompem vendas | Mundo


As principais organizações de produtores agrícolas da Argentina se manifestaram nesta quarta-feira (13) e suspenderam a comercialização de grãos por 24 horas para exigir mudanças na política econômica do governo de Alberto Fernández.

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Os produtores rurais pedem isenção de impostos de exportação e a normalização do abastecimento de combustíveis. A Argentina enfrenta uma escassez de gasolina nas últimas semanas, justamente durante o auge da colheita.

Silvina Batakis é a nova ministra da economia da Argentina

Na Argentina, o dólar é vendido no mercado paralelo alcança o dobro do valor da cotação oficial. Os produtores rurais vendem seus produtos pelo dólar oficial, bem abaixo do câmbio paralelo.

Essa é uma das reclamações, além dos impostos. “O governo nos pressiona com impostos excessivos e a um mercado cambiário paralelo que afeta a rentabilidade”, disse Jorge Chemes, presidente da Confederações Rurais Argentina.

Chemes afirmou que não quer que a desvalorização do câmbio seja feita de forma a produzir danos financeiros. “Queremos, sim, que haja um ajuste lógico de valores do dólar que nos permita ter uma exportação razoável e que nos gere rentabilidade para podermos prosseguir”, disse Chemes. Ele faz um referência entre a diferença da taxa de câmbio oficial, de 135 pesos por dólar, e da cotação no mercado paralelo, que praticamente dobra o valor da moeda estrangeira.

Centenas de pessoas aderiram às manifestações com seus maquinários. Algumas delas foram a cavalo e levaram bandeiras argentinas.

Mariano Roberto Ibarra, um trabalhador rural, disse ter ido protestar contra a deterioração econômica. “A gente está trabalhando para poder comer hoje. Antes havia uma margem de lucro que hoje não existe”, disse.

A Argentina é uma das maiores produtoras de alimentos do mundo e o país que mais exportada óleo e farinha de soja.

Por um lado, ela foi beneficiada pelo aumento nos preços dos cereais e oleaginosas, como consequência da guerra na Ucrânia. No entanto, o conflito encareceu a importação de fertilizantes e de combustíveis, que são essenciais para o campo. A Argentina importa 60% dos fertilizantes que consome, e 15% são provenientes da Rússia.

“Não concordamos com esta paralisação, achamos que não leva a nada. Sempre privilegiamos o diálogo”, disse o chefe de gabinete do governo, Juan Manzur.

Embora tenha admitido que houve “sérias dificuldades em relação ao diesel”, Manzur afirmou que “gradativamente o abastecimento vai se normalizando”.

Juan Diego Echevere, da Sociedade Rural da província de Entre Ríos, afirmou que “sempre estamos prontos para dialogar com o governo. O que ocorre é que só o diálogo não basta, precisamos de uma mudança de políticas”.

Pedro Peretti, ex-diretor da Federação Agrária Argentina, criticou a motivação deste protesto ao destacar que “no campo não ficou um único hectare sem semear pela falta de combustível”.

“Havia problemas de combustível, mas no campo estavam bem abastecidos e semeou-se o que se precisava semear e o que não se semeou foi por falta de chuva. Não há desabastecimento”, disse à Rádio Nacional.

Nova ministra da Economia

O protesto dos produtores do agro foi organizado poucos dias após a nomeação da nova ministra da Economia, Silvina Batakis, na esteira da renúncia de seu antecessor, Martín Guzmán, em meio a turbulências cambiais e a uma inflação estimada em 76% para este ano.

A expectativa é que as exportações agroindustriais alcancem um recorde de US$ 41 bilhões em 2022, cerca de US$ 3 bilhões a mais do que em 2021.

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