Premiê a Itália renuncia, mas presidente não aceita demissão; entenda o que deve acontecer agora | Mundo


O presidente da Itália, Sergio Mattarella, se negou, nesta quinta-feira (14), a aceitar a renúncia do primeiro-ministro, Mario Draghi, em meio a uma crise política que pode levar a terceira economia da zona do euro a realizar eleições antecipadas.

Entenda o que aconteceu e que caminho pode tomar o governo do país europeu:

Por que Draghi renunciou?

O primeiro-ministro anunciou sua demissão perante o Conselho de Ministros, depois de o Movimento 5 Estrelas (M5E) se abster de votar, nesta quinta, uma moção de confiança sobre um decreto-lei fundamental, por considerá-lo contrário aos seus princípios.

A rejeição dos antissistema se deve, sobretudo, ao fato de o decreto, que inclui medidas para ajudar famílias e empresas contra a inflação, também conter um projeto de construção de um incinerador de lixo para Roma. Este último conta com sua forte oposição, por considerá-lo caro, poluente, ineficiente e ultrapassado, em termos de tecnologia.

“A maioria para a unidade nacional que apoiou este governo desde sua criação deixou de existir. O pacto de confiança, em que se baseia a ação deste governo, desapareceu”, explicou Draghi, ao anunciar sua renúncia.

Presidente da Itália, Sergio Mattarella, discursa no Palácio Quirinale, em Roma, em fevereiro — Foto: Paolo Giandotti/Presidential Palace/Handout via Reuters

Como respondeu o presidente Mattarella?

“Não aceito a renúncia e convido o primeiro-ministro a se apresentar, novamente, perante o Parlamento”, declarou Mattarella, em um comunicado oficial, razão pela qual não se descarta que, na próxima semana, Draghi obtenha o apoio de uma nova maioria para continuar governando.

Segundo alguns analistas ouvidos pela AFP, o chefe de Estado se negou a aceitar a demissão do primeiro-ministro porque se opõe a antecipar as eleições legislativas, previstas para o início de 2023.

É provável que Draghi, que teve de enfrentar a campanha de vacinação contra a covid-19 e a crise gerada pela guerra russa contra a Ucrânia com todas suas consequências políticas e econômicas, vá ser convidado por Mattarella, que, como presidente, exerce a função de árbitro da política na Itália, para formar um novo governo.

Primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, anuncia renúncia ao cargo

Uma queda do governo causaria muita incerteza, em um momento complicado, devido ao aumento da inflação e às reformas necessárias e ainda pendentes para o plano de recuperação financiado pela União Europeia, de cerca de 200 bilhões de euros.

A Bolsa de Milão reagiu aos acontecimentos políticos com uma queda de mais de 3% nesta quinta-feira, em meio ao nervosismo dos mercados.

Um impasse foi suficiente para fazer ruir a coalizão de governo?

Draghi foi convidado em fevereiro de 2021 pelo presidente Mattarella a liderar uma coalizão heterogênea que reunia quase todos os partidos representados no Parlamento, com o objetivo de enfrentar a crise econômica e social do país.

Por isso, reiterou – como já havia explicado em várias ocasiões – que sem o apoio dos antissistema do M5E dava seu mandato por encerrado, mesmo que tivesse votos suficientes no Parlamento, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, para continuar governando.

“Desde o meu discurso de posse no Parlamento, sempre disse que este Executivo se mantém no poder apenas se tiver o objetivo claro de implementar o programa de governo que as forças políticas aprovaram com o voto de confiança (…) Estas condições não existem mais hoje”, assegurou Draghi, de novo, nesta quinta-feira.

Vencedor das eleições de 2018 com 32% dos votos, o partido antissistema se encontra em plena decomposição. Muitos de seus parlamentares (cerca de 50) emigraram para outras siglas e, por isso, tenta voltar a atrair seu eleitorado, de olho na corrida eleitoral do ano que vem.

“Temos que responder ao crescente mal-estar social de forma clara e decisiva. Os irresponsáveis não somos nós, são os que não dão uma resposta ao país”, garantiu Mariolina Castellone, representante dos senadores do M5E.

“Hoje não participamos da votação do decreto-lei, porque não compartilhamos de se suas disposições (…) nem do método por meio do qual foi adotado”, acrescentou.



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