Vitória, para os ucranianos, é voltar à vida normal, diz Zelensky em primeira entrevista a um veículo latino-americano | Ucrânia e Rússia


O fim da guerra na Ucrânia só vai acontecer quando a Rússia decidir deixar o território invadido e , para os ucranianos, vitória significa uma volta à vida normal, anterior ao conflito, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Zelensky deu a primeira entrevista a um veículo jornalístico da América Latina (veja um trecho acima). Entre outros temas, ele abordou:

  • Como ele se sente e o que mais o afeta pessoalmente na guerra;
  • O que seria, para os ucranianos, uma vitória;
  • O estado das negociações de paz;
  • A presença de espiões russos no aparato governamental da Ucrânia;
  • A falta de atenção do público depois de 5 meses de conflito;
  • O apoio de outros países e
  • O que ele responde sobre a presença de extremistas lutando contra os russos.

Zelensky diz que não reclama por sentir que tem uma grande responsabilidade em relação ao povo da Ucrânia e não reclama disso. Ele afirma que é importante para ele estar lá nesse momento histórico e que agradece ao povo por isso.

Ele então respondeu a uma pergunta a respeito do que foi mais difícil até agora, e respondeu que são as famílias que perderam crianças. “Nada pode ser comparado a isso, quando vejo gravações ou falo com pessoas que passaram por isso, esses são os momentos mais difíceis”, afirmou.

A esperança é que essas mortes não tenham sido em vão, e os familiares querem ouvir isso dele, segundo Zelensky.

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante visita à cidade de Mykolaiv — Foto: Serviço de imprensa da Ucrânia/via REUTERS

Para o presidente ucraniano, vencer essa guerra significa voltar à vida normal, como a de antes da guerra.

“As pessoas querem voltar para casa, mas se o imóvel tiver sido bombardeado, elas podem reconstruir e trazer de volta suas crianças. Os maridos podem voltar e se reunir com suas mulheres. Milhões deixaram o país. A vitória é uma volta à vida normal, e não as condecorações de guerra, apesar de isso ser importante para os militares”, diz ele.

Mas ele também considera que vitória implica a condenação da agressão por parte da Rússia, “de preferência por todos os países do mundo”.

“Não queremos viver em escravidão, não queremos cumprir o desejo de uma pessoa ou de um grupo de pessoas que isso é a forma correta de viver porque eles assim acreditavam; eles não têm o direito de decidir isso para um país soberano”, afirmou ele, fazendo referências à Vladimir Putin.

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante visita a Kharkiv — Foto: Assessoria da presidência/via REUTERS

Zelensky então afirmou que só deve haver negociações quando o outro lado quiser acabar a guerra.

“Se eles querem acabar com a guerra, já que eles começaram, eles vão terminar, ainda que não haja uma conversa em uma mesa de negociação. Para mim, é simples, é terminar a guerra se for o desejo deles. Podemos discutir como viver depois disso em uma mesa de negociações. Se a Rússia tem princípios civilizados, nos respeitar e tentar chegar a um acordo, sem nos dar ultimatos, então estamos prontos para falar sobre isso”, afirmou o presidente.

Ele não consegue fazer uma previsão de quando a guerra deve terminar. A força da Ucrânia no campo de batalha pode ser um incentivo para que os russos decidam parar com as agressões.

Zelensky afirma que a Rússia tem uma influência grande na Ucrânia e, assim, conseguiu criar uma rede de colaboracionistas, espiões e etc. Isso é um problema mesmo dentro do governo ucraniano.

Essas pessoas têm sido demitidas, diz ele.

“Há anos que a Ucrânia está limpando seu sistema. É difícil, é um processo longo”, afirmou ele.

Ele reclamou da falta de atenção que a guerra tem recebido nos últimos meses. “Há quem se canse. É compreensível. Todos os países têm seus temas internos. É importante para a gente que as pessoas não se cansem.”

Ele então afirmou que a luta da Ucrânia é pela liberdade, e que esse é um valor compartilhado pelo mundo.

O sistema de defesa antiaéreo, diz ele, é importante para que as pessoas se sintam seguras para voltar para casa.

Ele afirmou que os ucranianos não conseguiram se preparar para a guerra –territorialmente, a Rússia é 30 vezes maior que a Ucrânia, e a população russa também é muito maior. É impossível se preparar, especialmente quando o outro lado tem armas nucleares e é o segundo maior exército do muno.

Grupos radicais na Ucrânia

Zelensky afirmou que não há grupos de direita radical no país. “Quem são esses? No leste? Não temos grupos radicais na Ucrânia, temos as Forças Armadas da Ucrânia. Esse é o nome.”

Apesar dessa resposta de Zelensky, há, sim, presença de grupos extremistas nas trincheiras da Ucrânia contra a Rússia. O mais famoso é o chamado Batalhão de Azov, grupo neonazista que já combateu a invasão russa da Crimeia em 2014. O grupo luta contra separatistas russos na região e tem desempenhado um papel importante na resistência ucraniana.

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Em Kharkiv, um homem segura a mão do filho de 13 anos que morreu em um ataque militar russo, em 20 de julho de 2022 — Foto: Sofiia Gatilova/Reuters



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